Como todo carioca, ele ria de janeiro, com certeza, ao encarar o desafio de buscar refúgio em sua própria cidade. Ele ria do colapso das concessionárias de serviços públicos, da alienação dos turistas, sob o involucro do consumo. Ria da insegurança e inexperiência que seguravam a pistola, e dos moradores de rua e pedintes que se tumultuavam feito e junto ao lixo, enquanto as preocupações do prefeito se resumiam à copa, às olimpíadas, ao consumo de álcool, de água de coco da praia e à (perigossissima, calamitosa, uh!) publicidade irregular.
Seu Tião vivia sempre sob a eterna pressão (da qual ninguém tem coragem de falar) que o exigia forte o tempo todo, forte sobremaneira. A vida além de sua porta cobrava firmeza, postura, caráter, fibra, e, depois de certo ponto, conformismo e serenidade diante do constante abuso à sua resistência. Faltava força, luz, água, transporte, segurança. E não ser da condução que foi assaltada era motivo p'ra ligar p'ra casa feliz, e comemorar seu próprio atraso, seu próprio aperto em meio ao suor de outros quatro corpos sobre o mesmo metro quadrado. Era preciso ser forte, principalmente para suportar SE DIVERTIR, diante de uma cidade sempre dita tão e somente "maravilhosa".
sexta-feira, 19 de março de 2010
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